17 de dezembro de 2010

Cada vez mais nacional

Créditos: Tramontina

Vinhos espumantes brasileiros ganham destaque em meio a celebrações recheadas de referências estrangeiras.

A palavra réveillon vem do francês réveiller, verbo que significa despertar na língua de Victor Hugo e Zinedine Zidane. Jesus Cristo nasceu em Belém, uma cidade localizada hoje na Cisjordânia. O calendário que estabeleceu 1º de janeiro como a data da virada de um novo ano foi criado pelo papa Gregório XIII, em Roma. As importações não param ai: Papai Noel surgiu a partir da inspiração do São Nicolau Taumaturgo, arcebispo turco, e ganhou feições rechonchudas nos Estados Unidos e Canadá durante o século XIX.

Mesmo com tantas tradições vindas do Exterior, o brasileiro tem pelo menos um motivo para se orgulhar nas festas de final de ano. O espumante consumido aqui é cada vez mais nacional. É verdade que a bebida é uma tradição desenvolvida pelos europeus, mas o consumo da versão brasileira do espumante tem animado produtores e consumidores. Desde 2000, segundo dados do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), as vendas triplicaram, atingindo os 12 milhões de litros consumidos somente no ano de 2010.

A razão não poderia ser outra: os vinhos borbulhantes brasileiros melhoraram e passaram a ser vendidos a preços competitivos. O que antes era um luxo reservado a ocasiões especiais como festas de casamento, réveillon e natal, passou a fazer parte do cotidiano de muitos brasileiros. As cavas nacionais estão sendo recompensadas pelos investimentos em tecnologia e na melhoria dos vinhedos de uvas chardonnay pinot noir, as variedades preferidas para preparar um bom espumante. Mas, além das cifras, sacar uma rolha é um ato de confraternização. E, em meio a tantas importações de final de ano, o brinde pode ir além dos desejos de saúde e sucesso. Pode ser um pequeno manifesto de orgulho nacionalista.

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